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26 jul 2006
 
“Ser negro não é moda”
 
 
Érico Brás começou no teatro atuando no grupo EPA (Evangelização Pela Arte), sediado no bairro de Fazenda Coutos III, onde morou durante a infância. Desde os 8 anos, o ator acostumou-se a refletir sobre questões políticas e sociais, interpretando peças de temas delicados e de difícil abordagem. Chegou ao Bando de Teatro Olodum em 1999 pelas mãos de Márcio Meirelles, preparador de elenco de Jardim das Folhas Sagradas, para atuar em Cabaré da Raça e permanece até hoje no plantel do Bando.
Foto: Henrique Andrade
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Érico Brás interpreta Bará

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Aos 10 anos, Érico viu a sombra tradicionalista da Igreja Católica vetar a montagem de Missa dos Quilombos, assinada pelo grupo EPA. Passados 16 anos do frustrante episódio, Bará, seu personagem na trama de Jardim das Folhas Sagradas, faz o ator resgatar a reflexão sobre a religiosidade. Jornalista, futriqueiro, dinâmico, moleque, Bará se apega ao arquétipo de Exu para guiar Bonfim (Antônio Godi) em sua saga religiosa.

Entre a fábula e o mundo real, Érico, hoje aos 27, atiça a discussão sobre cultura negra no cotidiano da cidade de Salvador. “É bom ser negro e ator negro”, enfatiza ele, sem desconhecer as dificuldades. “Mas isso é complicado no mercado cultural porque temos de lutar contra um padrão de beleza referencial que é europeu, do colonizador.”

 
Jardim das Folhas Sagradas põe em debate aspectos velados e paradoxais das relações sociais contemporâneas brasileiras ao trazer à tona o modo de vida de uma negritude que é frequentemente apropriada pela moda pop, no pior sentido da expressão. Taxativo, Érico resume: “dizer não ao racismo está na moda, mas ser negro não é moda”.



Folhas Sagradas / Ascom
Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil