| Érico
Brás começou no teatro atuando no grupo EPA (Evangelização
Pela Arte), sediado no bairro de Fazenda Coutos III, onde morou
durante a infância. Desde os 8 anos, o ator acostumou-se a
refletir sobre questões políticas e sociais, interpretando
peças de temas delicados e de difícil abordagem. Chegou
ao Bando de Teatro Olodum em 1999 pelas mãos de Márcio
Meirelles, preparador de elenco de Jardim das Folhas Sagradas,
para atuar em Cabaré da Raça e permanece
até hoje no plantel do Bando. |
Clique
na foto para vê-la
em alta resolução
|
Aos
10 anos, Érico viu a sombra tradicionalista da Igreja Católica
vetar a montagem de Missa dos Quilombos, assinada pelo
grupo EPA. Passados 16 anos do frustrante episódio, Bará,
seu personagem na trama de Jardim das Folhas Sagradas,
faz o ator resgatar a reflexão sobre a religiosidade. Jornalista,
futriqueiro, dinâmico, moleque, Bará se apega ao
arquétipo de Exu para guiar Bonfim (Antônio Godi)
em sua saga religiosa.
Entre a fábula e o mundo real, Érico, hoje aos 27,
atiça a discussão sobre cultura negra no cotidiano
da cidade de Salvador. “É bom ser negro e ator negro”,
enfatiza ele, sem desconhecer as dificuldades. “Mas isso
é complicado no mercado cultural porque temos de lutar
contra um padrão de beleza referencial que é europeu,
do colonizador.”
|